Tão real quanto o imaginário pode ser

Ceciliano,
canceriano,
pop-rock-blues
regado à uísque e água.
Escritor iniciante - tentante e inquietante. Música e cinema.

Música

The Arcade Fire - banda nascida em Montreal (Canadá) em 2003, que faz um rock pop melancólico, cinético nas sensações que causam ao ecoar do som... vale a pena conferir. Começe pelo álbum "Funeral".

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Segunda-feira, Outubro 31, 2005 10:49

Uma fábula sobre casais modernos.

Beltrano, Cicrana & Fulana


Beltrano e Cicrana, haviam se conhecido numa festa beneficente da igreja. Eles nunca foram religiosos, mas sempre que podiam ajudavam com os preparativos. O mais estranho era que nunca haviam cruzado os olhares, mas naquele dia foi diferente. Como se tivessem sido guardados apenas para eles.
Um belo dia, assim que subiu para o ônibus, Beltrano ergueu o braço para trás para pegar a carteira, e foi dito e certo seu cotovelo na jovem Cicrana que subia logo atrás. A coitada caiu estatelada no chão, desacordada.
Ele a levou num pronto-socorro e para sua surpresa, foi ela abrindo os olhos e ele se derretendo em amores. Não menos correspondido, ela atracou-se ao seu pescoço roubando-lhe um sonoro beijo.
E assim começou a história dos dois.

Meses à frente, a relação já vinha se solidificando, exceto por um ponto: Beltrano sempre reclamava que ela era muito possessiva, ciumenta... e isso ele não admitia. A aconselhou procurar uma psicóloga que, com relutância, o fez.
Doutora Fulana era especialista em terapias para casais, e logo de imediato, relatou à sua paciente que aquela possessividade toda existia, tanto para ela, quanto para ele, mas que isso era gerado pelo fato de eles não terem uma vida mais próxima um do outro. Então a aconselhou a chamá-lo à terapia, para que juntos pudessem trabalhar isso.
Foi com um pouco de relutância que ele aceitou.

Dois meses de terapia e...
Já estavam morando juntos em um apartamento alugado. Felizes e contentes.
Aos poucos as coisas realmente iam voltando aos eixos. A aproximação fez com que a possessividade desse lugar à certeza do relacionamento, à segurança. Aquilo confortava a ambos.
Mais um tempo à frente, e de repente, outra dúvida começou a pairar sobre a cabeça de Cicrana, ¿e se nessas saídas, viagens e etc, ele conhecer alguém e ficar com ela?¿ de repente as coisas mudavam novamente. Até que ela sentou junto a ele durante a refeição e comentou sobre sua dúvida. Mas Beltrano estava convicto que aquilo poderia ser apenas um stress a mais, e a aconselhou a voltar em Doutora Fulana. Ela relutou, mas atendeu ao pedido do amado.
E assim aconteceu por mais dois meses, duas sessões por semana, ele custeando tudo.
É verdade que, nas saídas ele se sentiu atraído por algumas garotas, mas lembrou de Cicrana e seu tratamento para melhorar as coisas, sentiria-se culpado se estragasse isso. Então, numa noite durante o jantar ele a perguntou: ¿se acontecesse de eu ficar com alguém, você preferiria não saber ou eu te contar logo de imediato?¿ ¿ a resposta foi imediata: ¿hum... não sei.¿, pronto, o inferno estava instalado novamente e talvez mais um mês de terapia resolvesse. E lá foi ela aconselhada pelo marido.

Dias depois, enquanto estavam sentados ao sofá vendo televisão, Cicrana discretamente disse: ¿eu preferiria que você a trouxesse aqui para eu conhecer... quero ver o que a atrai, para que eu saiba onde melhorar¿.
Aquela declaração pegou Beltrano de surpresa, tanto que demorou a se reabilitar das tosses.
Definitivamente, sua esposa estava mudada. Definitivamente o investimento na terapia tinha dado resultados.

Na noite seguinte, para testar a teoria de Cicrana, Beltrano passou uma conversa numa colega de trabalho e levou-a para casa, lá chegando, deu de cara com sua esposa que vinha do quarto:

- Aline, esta é minha irmã Cicrana, como lhe falei ¿ disse apontando para sua esposa;
- Olá, muito prazer, eu sou Aline ¿ cumprimentou a jovem atraente;
- Tudo bom? ¿ respondeu Cicrana com um leve sorriso no rosto, e completou ¿ bem, eu tava de saída rapidinha, vou no mercado comprar umas coisas, fiquem à vontade... ah sim, aquele meu quarto com a cama de casal, não usem... sabem como é, não quero meu colchão cheirando a sexo quando for dormir... mas usem o ¿seu¿ quarto querido (referindo-se ao quarto de hóspedes), é uma cama de solteiro, mas vocês podem forrar umas coxas no chão, sei lá... criem!

Beltrano mais uma vez espantado, assentiu com a cabeça, vendo sua esposa sair à porta, enquanto que sua colega desabotoava sua camisa.
Naquela noite, Cicrana não voltou, mas deixou um recado na secretária eletrônica:
¿querido, não irei trabalhar agora pela manhã, irei direto ao consultório para uma sessão extra. Bem, em todo caso, eu ainda sou melhor que sua colega. Relaxa, eu não to bronqueada não.¿

Imaginando que ela poderia fazer uma loucura qualquer, Beltrano saiu correndo ao consultório de Fulana, para averiguar se sua esposa estaria mesmo lá ou se inventar aquilo para cometer um ato de desespero impensado!
Nem tocou a companhia, foi logo adentrando na sala, dando de cara com uma cena desconfortante e inusitada:
Fulana deitada desnuda com as pernas abertas, enquanto era acariciada em seu sexo com a língua de Cicrana.

Casal moderno é assim, faz terapia e começa a fazer concessões.

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Domingo, Outubro 30, 2005 16:26

Pra mim o Slipknot é uma versão mais pesada e mais pop do finado Pantera.

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16:24

Aula free de inglês nordestino:

What the hell is that? = Diabéisso?
Hurry up! = Avia, homi!
Take it easy! = Se avexe nao!
Don't be stupid! = Deixe de ser jumento!
Let's go, fellows! = Rumbora negada!
No thanks! = Carece nao!
Very far away! = Lá na caixa prego!
Very good = Danado de bom
This way = Pêralí
So so = Marromeno
Straight ahead = No rumo da venta
Get out of the way = Ó o mei! Sai do mei!
That's cool! = É pai d'égua!
I give up! = Peço penico!
Wait for me! = Perainda!
Hey, mister! = Ei, seu cabra!
Son of bitch = Fi duma égua!
Come to me, baby! = Simbora, Tonha!

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14:03

de volta a wonderland


E aí amigão, você que está ai em recife, curtindo esse calor umido que só esse cidade é capaz de propiciar, marretando as horas enfadonhas de um longo domingo enfadonho, o que pensa em fazer nessa semana? Sim, porque a semana está aí, novinha pra se começar a encher de espaços... já pensou, programou ou idealizou o que de molhor poderá ser feito? Ihhh... pela sua cara, ainda não né? Tudo bem, ainda há tempo para isso.
Eu mesmo gostaria de estar aí, pra poder visitar algumas pessoas e um pessoinha em especial... mas fazer o quê, se o trabalho sempre me empurra pra bem longe de suas fronteiras?
Bem, o fato é que no meio desses dias estarei de volta e com certeza, nem que seja por um breve momento, vou ver tal pessoinha linda...rsrsrsrsrs
Olhaí... já me programei, só falta você agora!
Bom final de domingo.

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Sexta-feira, Outubro 28, 2005 14:07

Playmobil volta a ser vendido no Brasil


DivulgaçãoO Playmobil, brinquedo quer marcou a geração que cresceu durante os anos 80, está de volta ao Brasil. A fabricante catarinense de brinquedos Calesita começou a importar desde o início de setembro o brinquedo da Argentina, e pretende ampliar a distribuição a partir de 2006.
Para impulsionar as vendas, a Calesita tem planos de mídia para o produto, já de olho nas vendas de Natal. A campanha de marketing deve atingir a televisão por assinatura e revistas. O objetivo é vender não apenas para crianças, mas também para os adultos que brincaram com bonecos Playmobil durante a infância.
Se o plano der certo, para 2006 a empresa pode trocar o fornecedor do brinquedo, passando a trazer os priodutos direto da sede da Geobra Brandstätter, na Alemanha. Fundada em 1908, a fabricante alemã apresentou o Playmobil em 1974, e desde então já produziu 1,8 bilhão de bonecos em todo o mundo.

Fonte Terra




Claro que tudo isso foi impulsionado pela abertura da novela Bang Bang. O que eu acho fantástico.
Agora sim, meu orçamento estoura de vez.

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13:59

trecho aclimatizado e pouco saturado de imaginação pura e coesiva

seguindo o evengelho


- cara... fulana lembrou de você muito pouco, sabia?
- foi? por que?
- sei lá... acho que ela tava muito bêba...rsrsrsrsrsrs
- eh neh...
- mas eu falei pra ela, que ela tinha lhe dado uma senhora pisa de boca!
- hahahahahahahaha! foi nada!
- e num foi?
- pois você sabia que ela também agarrou Paulo e João Mosca?
- sério?? e eu achei que fosse onda de Nicolau quando veio me dizer que ela, no auge ébrio em que se encontrava, o tinha tentado também...
- ...
- peraí Saulo... assim já foi demais, pense numa cachaça!
- é pô... acho que ela queria seguir o evangelho todinho... testando apóstolo por apóstolo!

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09:30

estamos todos presos ao acaso


Desde as idéias, aos fatos. As vontades, gestos, desejos, plenitudes, realizações, consagrações, epifanias e estados morais. Tudo gira em torno do acaso, tudo gira em torno do que acreditamos fazer. Somos donos de nossas vontades e fazemos tudo para caminhar do lado em que construímos tudo o que quisermos ter. Somos donos de nossas vontades (mas vontade está presa ao acaso também).
Então é iso: planejem, atuem, queiram, realizem e etc... mas não esqueçam que tudo isso só acontece porque o acaso quis. Porque existe um caos que predomina em todas as ções e que as justificam de acordo com o desequilíbrio de qualquer situação.
Foi ao acaso que expus uma opinião, que por acaso foi confundida com preconceito. Normal isso.

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Quarta-feira, Outubro 26, 2005 13:59

pútrido, putrefato, podre, estragado, ruim... o pior que poderia ter. E ainda pode mais?


Hoje, a MTV Brasil, conseguirá um feito jamais visto na história: juntar seu pior programa com o mais cú dos artistas.
Pra quem ainda não entendeu, vejam aqui o que se passará.
Mas vou dar um dica, pra quem não quiser ir lá conferir:
imagine Daniela Cicarelli + Beija Sapo + Felipe Dylon...
pois é... entenderam???

Então, aí vai um serviço de utilidade pública:

Não liguem seus aparelhos televisores nos seguintes dias e horários, sintonozados na MTV:
Quarta, 22h
Quinta, 10h
Sexta, 17h
Sábado, 11h e 18h30




ps. fazer um programa com Pedro De Lara, nem com Elke Maravilha, ninguém quer né?!?!?

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Terça-feira, Outubro 25, 2005 14:36

CÚMULO DA PRETENSÃO

Motoqueiro a 140 km/h numa estrada. De repente deu de encontro com um passarinho e não conseguiu esquivar-se: TEBÉÉÉÉIII !!!
Pelo retrovisor, o cara ainda viu o bichinho dando várias piruetas no asfalto até ficar estendido.
Não contendo o remorso ecológico, ele parou a moto e voltou para socorrer o bichinho.
O passarinho estava lá, inconsciente, quase morto.
Era tal a angústia do motoqueiro que ele recolheu a pequena ave, levou-a ao veterinário, foi tratada e medicada, comprou uma gaiolinha e a levou para casa, tendo o cuidado de deixar um pouquinho de pão e água para o acidentado.
No dia seguinte, o passarinho recupera a consciência.
Ao despertar, vendo-se preso, cercado por grades, com o pedaço de pão e a vasilha de água no canto, o bicho põe as asas na cabeca e grita:

PUTA QUE PARIU !!! MATEI O MOTOQUEIRO !!!

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09:16

Momento Mary Bar: com estas aqui, nada mais me faltaria....



Lavínia Vlasak / Cláudia Alencar / Vanessa Gerbelli



sonhar pode né? então... acho que vou contribuir para a audiência da novela da Record

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Segunda-feira, Outubro 24, 2005 16:05

resolvi dar uma força a esse cara aqui.
ele tem ótimas idéias e uma linha regular de escrita e criação.
seus contos e crônicas são muito bons, e eu o admiro.
perto dele me sinto uma criança tentando escrever Camões.
eis aqui, uma homenagem, um conto escrito por ele e que foi enviado ao concurso literário do recife.

Sit Down


Lucas lavou da boca o sabor apimentado das salsichas e molho de tomate com um gole escaldante de café. Olhou o empoeirado relógio pendurado na encardida parede sobre a porta de vidro repleta de pequenos cartazes de propagandas e avisos com dicas do cardápio. O ar morno e engordurado rescindia a bacon e mostarda. 10:28 da manhã. Numa mesa aos fundos um corpulento homem de cavanhaque tomava um maltado com um sanduíche de pernil. Um casal trocava breves carícias entre goles de refrigerante. Uma garota ruiva de mini-saia preta e botas acabava de entrar com um estranho sorriso nos lábios. "I sing my self to sleep a song from the darkest hours..." Lucas atirou sobre o balcão uma cédula e algumas moedas, descendo do banco redondo de napa marrom. Não precisava ouvir aquela velha musica que começava a tocar no rádio. Ao menos não naquele dia. Passou pela garota de cabelos vermelhos sem lhe dar atenção e mergulhou na tórrida claridade da rua. Sentiu o sol arder e brisa quente de verão soprar o lixo pela calçada. Precisava disso. Sentir o sol, o suor brotar da sua pele, a fuligem grudando-se em seus poros. Dirigiu-se ao ponto de ônibus. Queria visitar seus velhos companheiros na escola de onde já nem mais era aluno, mas logo mudou de idéia. Segurar o que podia do passado, quando fora feliz, não lhe faria bem algum. Sabia disto. Não iria suportar olhar as árvores e bancos, passar por todos aqueles lugares que lhe eram tão familiares. As boas lembranças são sempre as piores de se recordar.
Pensava incessantemente no telefonema da noite anterior. Maria Clara.
Maria Clara fora durante anos sua melhor amiga. Haviam crescido juntos, no mesmo bairro. Costumavam passar tardes inteiras na praia catando conchas ou assistindo intimistas filmes europeus nas sessões especiais dos cinemas. Gostava de Maria Clara. O jeito arisco e impetuoso, a mania de devorar pilhas de livros e tomar café ouvindo jazz até a madrugada, quando ligava para ele pedindo companhia ao telefone. Não sabia bem o que sentia na sua presença. Era bonita. Tinha belos olhos cor-de-mel, os lábios bem desenhados, o corpo irretocável. Talvez a mais encantadora das pessoas que já havia conhecido. Sentia-se embaraçado quando ela aninhava-se no seu colo. E se roia de ciúmes cada vez que ela se envolvia com um novo namorado. Era a única coisa que amava em sua vida de poucas surpresas e vazia de expectativas. Sempre fora tímido, pessimista, arrogante. Nunca se entendera muito bem com seus pais, sempre frustrados com ele. Nunca gostou muito do curso que estudava para provar ao pai que não era um incapaz. Tinha amigos, muitos deles, mas poucos em quem realmente confiava. Conhecia garotas, várias, mas nenhuma ele amava como amava Maria Clara.
Um dia, porém, Maria Clara chegou na sua casa numa tarde quente de sábado. Os pardais esvoaçavam alegremente.
- Sabe da novidade?
- O que houve?
- Vou embora. Minha família vai morar em São Paulo.
- Sério? Quando?
- Amanhã. Vim aqui te chamar pra minha despedida.
Lucas sentiu um gelo na barriga. Clara estava de partida. O desespero agora o tomava de assalto. Iria perder sua cúmplice. Não mais haveria longas tardes catando conchas, nem a aristocrática quietude dos chás à tarde nem os belos filmes. Não mais iria se sentir amoroso e gentil, nem a doce insônia ao telefone. Todas as coisas que sustentavam seu frágil universo emocional estavam agora com os dias contados. E ela? Quem iria zelar por ela? Quem iria cantar ao telefone para ela dormir e quem lhe iria enxugar as lágrimas quando de seus muitos acessos de melancolia e suas brigas com os pais?
Lucas sentou-se num canto do jardim, pensativo. Jamais soube como era o mundo sem Maria Clara, mas estava prestes a saber. Uma melancólica musica dos Smiths enchia o ar, junto com as vozes do que estavam na festa... "take me out tonight...". Deu um longo gole da vodka no copo em sua mão. Clara veio até ele. Parecia-lhe mais bonita do que sempre havia sido. Talvez o vestido florido, talvez os brincos de metal branco. Olhou embevecido a garota atravessar o jardim em sua direção e sentar-se ao seu lado, encostando-se no seu peito. Lucas apoiou o queixo nos cabelos de Maria Clara, abraçando-a do modo mais terno que era capaz. Respirou fundo, sorvendo o perfume da garota. A menina ergueu o rosto e fixou os olhos nos seus, em silêncio... "to die by your side...". Um beijo. Um beijo, não um furtivo selinho como tantos que já haviam trocado. Sentiram aumentar as pulsações, a avidez do toque. Um beijo febril, urgente, triste. Pode sentir-lhe a maciez dos lábios, o hálito morno e perfumado. E por um longo tempo ficaram assim, como namorados. Por fim, Clara levantou-se enxugando as lágrimas e entrou na casa sem nenhuma palavra. Lucas demorou-se ainda alguns minutos na penumbra do jardim, olhando Maria Clara sumir entre os convidados da festa. Ambos detestavam despedidas. Saiu dali para a sua casa sentindo o mais miserável dos homens. Sua cabeça dava voltas como se estivesse em um tornado de tristes canções, sorrisos perdidos e incontáveis noites de festa.
Acordou tarde no dia seguinte. O corpo a beira da derrota pelo excesso de álcool. Não teve coragem para ir ao aeroporto. Apenas olhou da varanda Maria Clara entrar no táxi. Ainda um ultimo olhar. Atirou um beijo no ar com as pontas dos dedos. Não chorou. Não chorava nunca, ao contrario dela.
Durante um tempo trocaram pilhas de cartas. Sensíveis, sarcásticas e amorosas, como sempre haviam sido. Mas com o tempo as suas atribulações os foram consumindo. Lucas entendia-se cada vez pior com seus pais e irmãos, ia mal na escola, tentava em vão conseguir emprego. Gostava cada dia menos do mundo, sempre às voltas com algum fracasso romântico. Matava seu tempo afundando em textos de Salinger, Bukowsky e Jim Morrison, saía à noite com amigos para dançar e beber e esquecer todo o cinzento que sua vida sempre havia sido. E as cartas foram se tornando mais e mais esparsas, mais escassas, como as folhas de uma árvore moribunda. Ele já nem lembrava mais quando recebeu ou enviou a ultima. Mas não esquecia dela. Muitas vezes, deitado na cama ou catando conchas sozinho nas tardes, pensava em Clara como um refugio. Sonhava com o dia em que se encontrariam outra vez.
Uma noite, porém, estava em casa ouvindo um dos seus discos de jazz quando o telefone tocou. Bárbara, vizinha dele. Para avisar que Maria Clara havia falecido naquela noite. Câncer no coração. Haviam descoberto quando já era demasiado tarde para um tratamento, semanas antes. Lucas sentiu o chão ceder sob seus pés e o mundo ruir sobre a sua cabeça. Correu para o quarto, para a caixa cheia de cartas e pequenos presentes trocados ao longo dos anos. Contemplou longamente as letras redondas e fluidas no papel, belas conchas marinhas, flores secas. Poesias de Drumond, trechos de Caio Fernando Abreu e Fernando Pessoa, manchas de café e martinis. Tudo acabado. Eternamente acabado.
Lucas não dormiu durante a noite. Lapsos de sono permeados de sonhos com Clara. Saiu sem rumo certo na manhã seguinte. O sol escaldante de dezembro sobre seus ombros e os desgrenhados cabelos. Entrou numa lanchonete para o café da manhã. Café, pimenta, calor, precisava disso. Terminava a refeição quando começou a tocar uma velha canção do James no som da pequena lanchonete. Não queria ouvir aquilo. Não naquele dia.
Andou pelas ruas sem coragem para nada. Olhava absorto os policiais com o rosto de concreto, meretrizes de olhar fatigado. Pensava em dias felizes, seus dias de estudante de tardes infinitas em cinemas e fliperamas. Daquilo, nada mais restava se não o desejo de viver e que o tempo jamais passasse, levando contigo tudo que existia. Nada do que hoje tinha lhe espantava da alma o frio e a solidão. Tudo que queria era mais uma chance de rever Maria Clara e esquecer quem era. Esquecer-se do seu mundo e por ele ser esquecido de uma vez por todas. Apenas isto.
Tomou um ônibus para a Zona Sul. Caminhou pelas calçadas até a praia. No caminho, numerosas vitrines. Sempre tanta gente caminhando. Sacolas, cãezinhos, telefones, o sol que não dava trégua. A praia cheia de turistas em busca de sol e sexo. Bares cheios, automóveis com o som ligado no maior volume. Sentou-se num banco sob uma árvore, contemplando o hipnótico vai-vem das ondas. Um grupo de estudantes vindo da aula passou ruidosamente por ele. No céu um avião cortava o ar avançando sobre o Atlântico. Ainda estava vivo, embora danificado. Haveriam mais coisas para lhe ocorrerem, ele sabia, mas por hora, tudo que queria era dormir por meses seguidos e esquecer quem ele era e quem ele sempre foi.


Chuck




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14:35

sacrifícios - amor ou doença?


Em termos, quem nunca fez um sacrifício por amor? Quem nunca deixou de lado algumas coisas - algumas de muita importãncia - somente para apaziguar a pessoa amada? Ou até mesmo deixou-se levar por uma situação, até insustentável, por causa do bem-querer da relação?
Sempre se fez isso, sempre foi assim, e sempre será.
Eu mesmo já fiz muito isso, e sei que muitas também já se sacrificaram por mim.
Mas o ponto em que quero chegar é muito simples:
"Até que ponto se pode fazer um sacrifício por uma relação?"
Bem... eu costumo dizer que deve ser feito até o momento em que você deixa sua identidade de lado.

Vale a pena deixar de ser você mesmo(a) para saciar uma vontade da pessoa do lado?
isso seria deveras ruim para ambos, pois perderiam o melhor do que os fizera se apaixonar.

É possível viver em harmonia, mesmo sabendo que tudo que se faz, é vigiado e cobrado sempre?
definitivamente não. Como pode-se ter paz, se você mesmo(a) abre mão de sua individualidade e resolve tornar-se um escravo(a) das vontades de outra pessoa?

E quando é o momento de parar?
essa é mais fácil de responder, porém a mais dolorosa. Duas pesssoas só devem se separar, quando não há mais amor(piegas, mas verdadeiro). Porém, é preciso saber exatamente o que se sente, pois muitas pessoas confundem amor com posse, comodismo ou vaidade. Existe ainda a impertinência excessiva, que é o caso mais comum. Então, é preciso identificar quando o alguém te quer de verdade porque ama, ou simplesmente por uma das razões acima citadas. Ah sim, e vale salientar que, quaisquer uma delas, sempre traduz para o indivíduo, o egoísmo, e para o afetado(a) a escravidão e perda de essência(escravidão).

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Sábado, Outubro 22, 2005 01:57

Se você gosta, ninguém tem nada com isso

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Quinta-feira, Outubro 20, 2005 17:49

notícias do front - parte II


ainda em minha jornada pelas intensas diferenças das regiões de Pernambuco, agora aportei em Garanhuns.
Aqui faz frio, como sempre.
A cidade nem tá tão parada agora, pq tá acontecendo um festival de música e arte.
Os chocolates sete colinas ainda são muito bons... já o hotel em que estou, nem é tanto assim.
Encontrei um fone de ouvido para o meu celular (CF62 SiEMENS)
Encontrei uma coletãnea de clipes antigos e melosos em versão DVD - comprei, não sei pra quê, mas comprei.
Mais terde terá vinho, eu espero. Juntamente com o melhor chessbacon que eu já comi.
Tem cinema agora aqui, vou ver qual a boa de lá.
No quarto do hotel não tem ventilador ou ar condicionado, e tá frio do mesmo jeito...

Ainda pouco antes de vir de Serra Talhada, trouxe de lá uma taça linda para vinho! Acreditem se quiser... e foi de brinde do bar (claro, depois de ficar uma hora pentelhando o juízo do gerente para ele me dar... hahahahahaha)
Em Serra T. tem uma pizza muito boa em frente a faculdade.
As garotas/mulheres de lá não são bonitas, mas são simpáticas.
Aqui em Garanhuns é o contrário.

sobre o referendo de domingo


Se o SIM vencer, e um cara for casado com um canhão, o que ele deve fazer?

sobre o reverendo de domingo


é um padre até bonzinho o daqui, mas ele estica muito o sermão!


por hora é só, vou nessa.



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Quarta-feira, Outubro 19, 2005 11:28

notícias do front


"E de repente todos os sinos
trombetas e trovões
retumbaram-se,
diante daquele momento."

"Por entre os mundos distantes de nós,
há uma chance de sobreviver,
não pe possível saber o que há por lá,
mas é visível a ansia que nos dá...
Venha, levante e ponha tudo a perder,
vamos, aposte e não tema em vencer!"


Para quem não entendeu nada, estes são trechos de algumas letras de músicas que toquei em épocas remotas. Músicas compostas por nós mesmos, quando acreditávamos em falar de tudo a todos de uma maneira bacana: em forma de música.
Ora, então agora é que vcs não estão entendendo mais nada mesmo, né?
Simples.
Aqui onde estou, em Serra Talhada aconteceram coisas que me deixaram mais pensativo sobre minha curta jornada nesta vida.
O fato mais marcante foi o de ver um rapaz que trbalhava conosco, perder a vida. Pela manhã lá estava ele, brincando, trabalhando, interagindo, dando esporro em peão e tudo mais... à tarde, não voltou pro campo onde estávamos antes - no meio do nada dessa terra erma. Foi quando descobrimos que ele, após um banho em sua casa antes do almoço, havia sofrido um enfarte, vindo a falecer. Como não havia ninguém em casa, não houve socorro a tempo.
Outro dia um outro colega de empresa, descobriu que tinha leucemia e tentou começar um tratamento mas... já era tarde demais, e assim de repente, se foi. Ainda jovem, em seus 23 anos.

Aí eu me pergunto: que porra eu tô fazendo em minha vida, já que tenho a oportunidade de ainda realizar meus atos?
E lembrei de muitas coisas, uma delas foi o de ter uma banda, como sempre lutei. Márcio taí, disposto até, e eu vou procurá-lo assim que voltar pra Recife.
Outra coisa é a bebida, tá certo que eu não sou nenhum beberrão, mas mesmo assim vou diminuir (só não abro mão do meu vinho diário). Quanto ao cigarro... bem, posso diminuir também, até parar. Uma das coisas que me ajuda é a presença de minha filha, junto a ela, cigarro não passa. E assim vou me desentoxicando aos poucos... Ah sim, e encontrei uma academia de natação pertinho de minha casa, e é pra lá que eu vou a partir de minha volta à terrinha.
De mais... essa merda de cidade aqui tá quente pra caralho, fudendo o cú de juízo que qualquer cacete de gente!
(excesso de palavrão pra desopilar um pouco)

É isso. Se não quiserem, não precisa comentar nada, mas apenas pensem um pouco mais sobre suas atitudes e feitos, pensem em não deixar nada pra se fazer depois e principalmente, amar com força em tudo aquilo que se fizer.
Ah si, e deixem a porra de orgulho de lado, por que ao fim e ao cabo, todos vamos virar comida de verme mesmo.

ps. deixo registrado um abraço pra Chuck, o cara tá mal pra cacete e tá precisando de apoios.

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Domingo, Outubro 16, 2005 03:29



Participe do orkut para ampliar o diâmetro do seu círculo social
E acabar com a sua vida afetiva.

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Sexta-feira, Outubro 14, 2005 09:58

sinto o peso das coisas e o ar dentro de mim


Dizem que a idade conta muito em muitas coisas em sua vida.
Dizem também que se deve fazer as coisas ao seu tempo, na sua época.
Podem vir a dizer inclusive, que ele está passando por uma crise, mas isso seria uma inverdade. Disso eu sei.
Ele jamais entraria num espiral desesperador em busca de rápidas soluções aos problemas angariados até hoje, não ele. A única coisa porém, que ele aprendeu com o passar do tempo foi ter mais paciência.
Sempre afobado, agora ele quer viver, não quer mais entender, e sim usar o que se tem. Para cada coisa a sua época, e a fase de aprender e entender já passaram, agora é hora de usar o que se tem, e ele sabe disso.
Sabe tanto quanto no dia em que ela veio até sua porta lhe pedir conforto, e ele a deu.
Conforto esse que se limitaria a uma breve atenção e um pouco de palavras amigas, triste engano. Ela queria mais, ela queria sentí-lo mais uma vez. Ela sabia que isso o afetaria, o magoaria, mas não fez cerimônia. Deixou o noivo de lado por uma noite, e foi saciar a vontade que vertia em seus pensamentos. E por isso ela o procurou, e ele cedeu. Não deveria, mas cedeu.
Interessante como o alvorecer pode nos fazer ter sensações estranhas, uma delas é a descrença nas pessoas e sua vasta ignorância. Ela o deixou logo cedo, voltou pra casa, para os braços do seu atual amor, deixando o velho na cama, solitário em suas idéias, tentando aceitar que essa não era mais hora de aprender, e sim de aceitar os fatos.

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Terça-feira, Outubro 11, 2005 08:17

nada mais de mal-me-quer


Quem não se lembra de um dia longo de trovões?
Onde as vidraças não paravam de chorar em prantos vãos
Quem não se esquece dessa dor sou eu
A dor de nunca esquecer o toque da luz ao pôr do sol
Não quero nem saber, acendo um cigarrinho pra pensar
Que meu passado foi pra nunca mais
E que até hoje onde vou, percebo que ninguém
Vai parar para assistir
Se há uma luz quero tocar antes de nunca mais
Ir ao cinema e ver um longa sem piscar
E nas legendas entender que as histórias são iguais
Viram comédias se fosse contar
Trocando papos e risadas, no intervalo da sessão
Não quero nem saber, acendo um cigarrinho pra pensar
Se há uma luz quero tocar antes de nunca mais
(Relespública)



Então é isso, não há o que remoer nem sufocar, pois as razões que um dia existiram, hoje não passam de pontos marcados no tempo, sem interferência em sua transição futura.
E mais, hoje acordei me perguntando: "pra que porra de perder tempo com coisas ruins, se a minha vida parece tão finita?"
Então é isso.

ps. caso eu demore a escrever, é pq estarei fora por alguns dias, em pleno sertão pernambucano.

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Domingo, Outubro 09, 2005 18:06

crônica


Menininha

Houve uma época em que as meninas passavam pela infância, onde aprendiam a ser doces e tinham uma vaga noção das coisas do mundo; após isso vinha a puberdade, onde elas aprendiam as diferenças entre os meninos e elas, sentiam pela primeira vez o peso que sua sexualidade exigira. Depois disso, vinha então a conturbada época da adolescência e com ela os primeiros valores e prática de ética em suas vidas. Nessa época, as adolescentes buscavam lutas a todo custo contra os conflitos internos seus: sentimentos e razões. Geralmente nessa época, era onde se formava o caráter do que seria aquela mulher. Mas então que, depois de passar por todas aquelas dificuldades, vinha então a juventude, onde elas usufruíam os resultados obtidos na época anterior. Os conflitos agora eram pessoais e também com o mundo e com os próximos a ela. Sentiam o real e justo valor dos sentimentos. Onde antes eram paixonites e tristezas, agora haviam virado amores e perdas. Lidar com tudo isso seria a tarefa final para poder passar à próxima fase, a de se tornar uma mulher. Então, quando mulher, faziam de suas épocas anteriores, pilares para sua existência. Coroavam todo o sacrifício e dores por que passaram. Cravejavam em suas almas, as vozes ardentes que sempre clamavam por uma única relva de felicidade. E assim, a mulher haveria então, de ser o produto de suas experiências.
Provavelmente alguém pode acompanhar algum processo desse, mas com certeza somente elas mesmas é que sabem pelo que passaram. Porém, meus amigos, existe um tipo de mulher muito raro que consegue passar por tudo isso e ainda ser uma mulher doce como uma criança, curiosa e audaz como uma adolescente, conflitante e apaixonante como uma jovem e amável como uma mulher. São poucas, mas existem. Mas não se animem muito, não é fácil de encontrar uma assim, ao vento ou andando como uma pessoa comum. É preciso um requisito simples para poder perceber alguma dessas mulheres. E então agora, presumo eu, que vocês queiram saber qual a forma mágica de conseguir encontrar alguém assim. E lhes digo, incansáveis caçadores da perfeição, a única maneira de enxergar através dos misteriosos olhos de uma mulher tudo isso, é tendo a capacidade de ver sua alma. Sentir em sua complexidade, a simplicidade de um ser que apenas quer, no conjunto de sua vida, ser feliz.

Caminhar por essa busca é ter sua vida aberta diante de quem se quer encontrar, é ter dentro de si, a capacidade de amar, pois só assim, o cheiro cravado em sua alma como uma tatuagem poderá ser visto ao menos uma vez, e então, é nessa hora, que o sopro do amor acontece em nós, pobres homens à sua mercê.
Eu, meus caros, posso dizer que já caminhei por muitas almas perdidas, e de tanto isso fazer, acabei por me perder também, mas entendi que um dia, em prosa e alegria poderia enfim encontrar uma mulher assim, e encontrei. Mesmo que ela nunca me veja, mesmo que ela nunca me queira, me foi permitido sentir o doce sabor do néctar de sua existência em forma de amor, bombardeando meu pobre coração que não é de papel, mas que queima em saber de sua existência.
É meus breves amigos, caminhar pelos inexploráveis mistérios de uma perfeita mulher, é se tornar em sua plenitude, parte do que ela sonha, do que ela quer. E eu quis.
E essa mulher trouxe a mim, a feliz sensação de estar vivo, mais uma vez, após buscas inúteis e solitárias à felicidade.

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12:35

top 5


de ensaios de bandas que eu queria ter visto:

1- Queen
2- The Doors
3- Sex Pistols
4- Led Zeppelin
5- Relespública

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Sexta-feira, Outubro 07, 2005 08:09

medo


O tempo é implacável e costuma promover mudanças irreversíveis nas pessoas. Pode ocorrer que deixemos pelo caminho qualidades que antes nos pareciam inesgotáveis. Coragem, vigor, desejo de mudar o mundo, capacidade de amar e viver uma paixão... A certa altura da vida, podem parecer sentimentos tão amarelados quanto as fotografias guardadas em fundo de gaveta. Com medo de encarar nosso novo rosto no espelho, nos tornamos inseguros e, geralmente, nos trancamos em casulos inexpugnáveis, onde permanecemos protegidos, vivendo apenas de flashes da memória e de prazeres fugazes.

Não há por que temer, há apenas um enorme espaço vazio entre o "fazer" e o "esperar acontecer".


Bom fim de semana a todos.

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Quinta-feira, Outubro 06, 2005 09:39

A D Virtual presents: Funny & Relax Moment


É engraçado como o amor está em toda parte, basta olhar pra ver!
É engraçado como o amor está em qualquer lugar em que você for...
É engraçado como o amor está em cada canção, em toda tecla...
É engraçado como o amor está vindo pra casa a tempo pro chá!
Engraçado, engraçado, engraçado...
É engraçado como o amor é o fim das mentiras quando a verdade começa!
O amanhã vem, o amanhã traz, o amanhã modela o amor na forma das coisas: o amor é isso...
É engraçado como o amor vem rolando desde Adão e Eva!
É engraçado como o amor está ficando frenético, sentindo-se livre...
É engraçado como o amor está vindo pra casa a tempo pro chá!
Engraçado, engraçado, engraçado...
Desde a terra cá embaixo, até os céus lá em cima!
É distante e divertido, assim que o amor é: em qualquer hora e lugar!
O amor é isso, o amor é isso!
É engraçado como o amor está em toda parte...
É engraçado como o amor é quando você tem que correr pra casa, pois está atrasado pro chá.
É engraçado, é engraçado, engraçado...
O amanhã vem, o amanhã traz igual na forma das coisas.
Em qualquer hora, em qualquer lugar!
Se você tem que fazer amor, faça isso em todo lugar...
É isso o amor, é isso o amor!!




For relaxing times... make a Santory Time!
Ok, ontem consegui algo que de mais próximo se assemelha a uma taça de vinho pra mim. Não é bem uma taça, mas serve, e muito, pq tem boca larga e diâmetro grande, que dá para "mexer" bem o líquido até esquentar e assim, ativar melhor suas moléculas, dando assim um melhor sabor.
No âmbito Relax, ainda informo que, devido a um remédio que estou ingerindo, meus dias têm sido bastante cansativos... pq o danado dá um sono da murrinha! Passo o dia todo bocejando... ô peste!
Querem relaxar? comprem um bom livro: essa semana começa a Bienal do Livro de Recife. Centro de Convenções, não percam!
Bem... o que mais poderia dizer pra relaxar?
Ver um bom filme ou continuar escrevendo meu 3º livro - sim o 3º, pq uma vez que o 2º é uma compilação de contos e crônicas, esse só termino pouco antes de morrer. Anyway... caso vcs não estejam escrevendo um livro, podem então ajudar qlguém que o esteja.
E para finalizar essa bosta de post sobre Relax, falo agora sobre o festival do minuto de cinema do recife: as inscrições estão abertas e eu tenho que correr para produzir o meu. o roteiro? ah... já o tenho, mas não vou mostrar nada agora né?
É isso, curtam bem essa quinta-infame e lembrem-se: For relaxing times... make a Santory Time

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Quarta-feira, Outubro 05, 2005 13:14

frases e expressões de amigos, que ilustram nossa realidade


"aê!"
(cumprimento inicial ao se encontrarem)

"eu quero mais que o mundo exploda e meu pau cresça!"

"eu vou me envenenando com todas as mulheres até enlouquecer. Mantenha distãncia de mim"

um diz: "o mundo é bão, Sebastião..."
outro responde: "e ainda há quem acredite nisso"

"minha vida é uma farsa, disfarçada com pigmentos de alegria e sapiência, somente para enganar os tolos que acreditam em qualquer coisa que eu diga"

"o problema é que eu esqueço de lembrar que bebo pra esquecer. Daí vira vício."

"o mau vai atrás de quem sabe"

"eu não vou ceder aos estereótipos de uma sociedade fria, capitalista e vazia que busca incansavelmente despejar desvalores em nosso sagrado ganho mensal!"
(frase dita sobre o aumento de R$0,05 no valor de um saco de pipoca)

um diz: "vai com calma, ela não gosta que a bajulem, que lhe dêm atenção exacerbada"
outro responde: "ok! então diga a ela que eu sou o homem perfeito, pois desprezo e falta de atenção é comigo mesmo!"

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Domingo, Outubro 02, 2005 19:41

apenas ela


Words, playing me deja vu, like a radio tune I swear I've heard before,
Chill, is it something real, or the magic I'm feeding off your fingers
(can't ever keep from falling apart.. at the seams)
(can I believe you¿re taking my heart.. to pieces)
Lost, in a snow filled sky, we'll make it alright, to come undone,
Now we'll try to stay blind, to the hope and fear outside,
Hey child, stay wilder than the wind -
And blow me in to cry.
Who do you need?
Who do you love?
When you come undone.
(Duran Duran - Come Undone)



Naquela noite ela só queria encontrar alguém que a fizesse esquecer os dias de dor que passara. Não apenas cegar os limites das lembranças, mas substituí-las.
Ela queria alguém, qualquer um. Qualquer um que tirasse o gosto amargo do desprezo de sua boca. Ela queria uma boca doce dessa vez, que a fizesse pulsar por todo corpo, o desejo de sentir-se viva e mulher novamente.
Naquela noite ela buscava prazer gratuito, felicidade enlatada e rápida. Suores que limpassem seus poros do odor do ódio pelo abandono. Ela queria alguém apenas, nada mais.
Buscou uma boca, lábios quentes e desejosos. Quis atear-se fogo, queimar nas bordas do inconciente e depois desaparecer.
Encontrou um rapaz no meio do salão, no meio de alguma canção, e o fez pegar-se a ela. Beijaram-se calorosamente por um longo tempo.
Se permitiram esquecer as notas, as pessoas, o espaço o tempo, as desilusões. Era tudo o que queria naquela noite.
Perderam-se no meio da multidão, encontrando-se logo depois num canto escuro do lugar.
Corpos suados, libidos atendidos. Deixou-se perder-se no sabor do falo de seu companheiro, queria mentir-se de sua tristeza, ser um outro alguém, como um fugaz refúgio para sua dor.
Recompuseram-se, voltaram ao salão e então, enquanto ele dirigia-se a buscar uma bebida, ela sumiu, desaparecendo no meio do mar de gente e música.
Voltou pra casa, encheu por seis vezes seu copo com uísque, deitou no chão, acendeu um cigarro e derramou-se em lágrimas, desejando apenas apagar de sua memória, tudo o que havia acontecido até aquele dia.
Inútil.

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